BRASÍLIA, 23 de outubro de 2026 — A dois dias do segundo turno presidencial, a corrida entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final com sinais de vantagem numérica do senador em diferentes pesquisas, mas sem evidência suficiente para declarar um vencedor.
O Datafolha registra 47% das intenções de voto totais para Flávio e 46% para Lula. Nos votos válidos, ambos aparecem com 50%, após arredondamento. Foram entrevistados presencialmente 2.520 eleitores em 154 municípios, entre 20 e 22 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%.
A compilação publicada pelo Poder360 reúne 17 levantamentos nacionais: Flávio aparece numericamente à frente em 15, Lula lidera em um e há empate no outro. O conjunto indica predominância de estimativas favoráveis ao candidato do PL, mas não constitui uma média estatística nem uma previsão do resultado.
As diferenças entre pesquisas exigem atenção. Institutos utilizam amostras, períodos de coleta e procedimentos de entrevista distintos. Além disso, a margem de erro divulgada para cada percentual não deve ser automaticamente aplicada à diferença entre candidatos.
O eleitorado também apresenta contrastes regionais. No Datafolha, Lula alcança 65% das intenções totais no Nordeste, contra 30% de Flávio. No Sul, o senador registra 58%, diante de 33% do presidente. São estimativas de subgrupos, sujeitas a incertezas próprias.
Outro fator é a estabilidade declarada do voto. Segundo o instituto, 94% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos, enquanto 6% admitem mudar de escolha. Isso não permite determinar quantos efetivamente alterarão o voto até domingo.
A dimensão jurídica impõe outra distinção: pesquisa registrada não é pesquisa aprovada. A Resolução nº 23.600/2019 do TSE estabelece exigências de registro e divulgação, mas a Justiça Eleitoral não realiza controle prévio dos resultados.
A votação ocorrerá em 25 de outubro, das 8h às 17h, horário de Brasília. Até lá, pesquisas ajudam a compreender tendências e diferenças no eleitorado. A definição da Presidência dependerá da votação efetiva e da totalização oficial.
