
A mineração ganhou importância estratégica diante da transição energética, do avanço de novas tecnologias e da busca dos países por maior segurança no fornecimento de matérias-primas. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição relevante por sua diversidade mineral e pelo potencial de recursos essenciais para diferentes cadeias produtivas. Em Sergipe, não é diferente. A mineração já é considerada uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico. O estado entrou no mapa estratégico da mineração brasileira, impulsionado pelo potencial de minerais críticos e pela ampliação do conhecimento sobre seu território. Ao mesmo tempo, projetos de potássio e terras raras avançam e ampliam as perspectivas de novos investimentos.
Esse movimento ganha ainda mais força com o Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050), que orienta as políticas de longo prazo para o setor mineral brasileiro. Entre as prioridades estão ampliar o conhecimento geológico, fortalecer as cadeias produtivas e garantir o aproveitamento responsável e a segurança no fornecimento de minerais estratégicos.
O presidente da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), Milton Andrade, destaca que Sergipe entrou no mapa estratégico da mineração brasileira, com projetos que começam a ganhar projeção nacional e internacional. “Embora seja o menor estado do Brasil, Sergipe aparece no Portfólio de Projetos do Setor Mineral 2026, da Apex Brasil, com duas iniciativas desenvolvidas no estado: o projeto de potássio da South Atlantic Potash e o Saramém, da Backshore Resources, voltado a minerais como titânio, zircônio e terras raras. Estamos falando de uma potencialidade que nos coloca ao lado de estados que possuem uma vocação histórica para a mineração”, afirma.
Conhecimento geológico
Transformar potencial mineral em projetos exige, antes de tudo, conhecer o território. Em janeiro de 2026, a Desenvolve-SE firmou Protocolo de Intenções com o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A parceria prevê tecnologias modernas para atualizar e ampliar os estudos aerogeofísicos e geoquímicos no estado, com as informações sobre o subsolo sergipano.
Entre as ações previstas está um levantamento geoquímico em escala 1:100.000, abrangendo cerca de 21 mil km². Também estão previstos levantamentos aerogeofísicos de ultra-resolução e a criação de um banco de dados georreferenciado integrado ao sistema nacional do SGB.
Os estudos podem apoiar a identificação de recursos associados à transição energética. Entre eles estão níquel, cobalto, cobre, terras raras e lítio. Com informações mais precisas, empresas e investidores podem avaliar oportunidades e reduzir riscos geológicos. “Quando levamos informação de qualidade para o setor privado, de forma gratuita e segura, criamos o ambiente necessário para que os fundos de investimento possam colocar os projetos de pé”, ressalta Milton.
Além disso, Sergipe já reúne informações do setor em uma ferramenta voltada à análise de oportunidades. O Mapa Interativo de Mineração, desenvolvido pela Desenvolve-SE em parceria com a Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), por meio do Observatório de Sergipe, e a Secretaria de Planejamento do Piauí, reúne dados georreferenciados sobre os processos minerários no estado.
A ferramenta permite visualizar áreas destinadas à pesquisa, concessão ou disponibilidade, além das substâncias minerais e dos titulares dos processos minerários. Com isso, também é possível cruzar tais informações com dados de logística, hidrografia, características geológicas e áreas ambientalmente protegidas, facilitando a análise de projetos e de regiões com potencial para investimentos.
Potássio offshore
Enquanto Sergipe amplia seu conhecimento geológico, projetos privados também atraídos pela Desenvolve-SE mostram como esse potencial pode se transformar em investimentos. Um deles é o projeto da South Atlantic Potash (SAP), empresa voltada à mineração de potássio offshore. A empresa já mantém Memorando de Entendimento para cooperação e desenvolvimento de oportunidades. O instrumento prevê, entre outros pontos, atuação conjunta na estruturação das atividades necessárias aos projetos.
Atualmente, Sergipe já ocupa uma posição relevante na cadeia do potássio. O estado abriga a única unidade produtora de potássio em operação no Brasil, o Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete. Com o projeto da SAP, é prevista a exploração offshore do mineral na costa sergipana, com perspectiva de produção de cerca de 2 milhões de toneladas por ano. Essencial à fabricação de fertilizantes, o potássio está diretamente ligado à produtividade agrícola e à segurança do abastecimento de insumos para o agronegócio brasileiro.
Projeto Saramém
Outra frente é o Projeto Saramém, da Backshore Resources, voltado à exploração de minerais estratégicos no litoral norte sergipano. Localizado em uma região de areias monazíticas, o projeto prevê a extração de titânio, zircônio e terras raras, com áreas em Brejo Grande e Pacatuba.
O empreendimento está em processo de licenciamento ambiental, enquanto o protocolo firmado com a Desenvolve-SE prevê investimento estimado de R$ 60 milhões e potencial para 450 empregos, sendo 120 diretos e 330 indiretos.
Minerais críticos
Os minerais críticos ganharam importância diante das transformações da economia mundial. Eles são chamados assim pois combinam alta relevância estratégica e maior vulnerabilidade de suprimentos, já que são essenciais para diferentes cadeias produtivas e, têm produção e refino concentrados em poucos países.
Esses recursos estão presentes, por exemplo, nas indústrias de tecnologia, defesa, telecomunicações e mobilidade, além de serem fundamentais para a transição energética. Por isso, seu acesso passou a ocupar espaço nas discussões sobre segurança econômica e soberania. “Quando falamos de minerais, falamos de geração de emprego, investimento e riqueza, mas também falamos de segurança geopolítica”, destaca o presidente da Desenvolve-SE.
Parceria SEPPI
Além da pesquisa geológica e dos projetos privados, Sergipe busca ampliar a conexão do setor com o mercado de capitais. Nesse sentido, a Desenvolve-SE articula uma cooperação com a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República (SEPPI).
A iniciativa busca apoiar a estruturação e a viabilização de projetos estratégicos de mineração. Também envolve ações voltadas à promoção e facilitação de investimentos estrangeiros e à inteligência de mercado.
Esse mapeamento ajuda a identificar potencialidades; a estruturação transforma essas informações em projetos; e a articulação com o mercado busca aproximar as oportunidades de investidores. Nesse processo, a Desenvolve-SE contribui com iniciativas voltadas à produção de informações, à estruturação de projetos e à atração de investimentos para a mineração em Sergipe.
Impactos de longo prazo
Esse conjunto de iniciativas aproxima Sergipe dos objetivos de longo prazo do PNM 2050. O desafio agora é transformar o potencial identificado no subsolo em oportunidades capazes de gerar atividade econômica de forma sustentável. Para isso, Sergipe combina conhecimento geológico, articulação institucional e atração de investimentos. A estratégia também busca reduzir riscos nas etapas iniciais e oferecer informações mais qualificadas ao setor privado.
Assim, novos projetos podem gerar empregos, renda e cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, minerais estratégicos podem ampliar a participação de Sergipe em setores ligados à indústria, tecnologia e transição energética. “Com informação de qualidade e com essa parceria com o Serviço Geológico Brasileiro, temos certeza de que vamos estar na dianteira do Brasil no quesito minérios”, conclui Milton.



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