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Outubro Verde: Pernambuco reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce da sífilis

Boletim epidemiológico da SES-PE aponta crescimento das notificações entre 2024 e 2025 e destaca o pré-natal, a testagem e o tratamento oportuno co...

16/10/2026 às 08h50
Por: Redação Fonte: Sec. de Saúde de Pernambuco
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Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco
Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco

Boletim epidemiológico da SES-PE aponta crescimento das notificações entre 2024 e 2025 e destaca o pré-natal, a testagem e o tratamento oportuno como estratégias para prevenir à sífilis congênita

O Outubro Verde, mês dedicado às ações de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da sífilis e da sífilis congênita, reforça a importância da informação e do acesso aos serviços de saúde para interromper a transmissão da infecção. Em Pernambuco, dados do Boletim Epidemiológico da Sífilis 2026, elaborado pela Gerência do Programa Estadual de IST, Aids e Hepatites Virais, da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), mostram que o número de notificações de sífilis congênita apresentou uma leve redução, e que as de sífilis adquirida e em gestantes aumentaram em 2025, evidenciando a importância de intensificar as ações de prevenção, diagnóstico e assistência em saúde. O terceiro sábado de outubro, neste ano será no dia 17/10, é comemorado o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita.

De acordo com o levantamento, Pernambuco registrou 11.769 casos de sífilis adquirida em 2025, ante 10.950 em 2024. No mesmo período, as notificações de sífilis em gestantes passaram de 4.692 para 5.063. Já os registros de sífilis congênita apresentaram redução, passando de 1.640 casos, em 2024, para 1.576, em 2025. (Boletim epidemiológico em anexo)

Os indicadores de 2025 também apontam uma taxa de detecção de 123 casos de sífilis adquirida por 100 mil habitantes e de 44,8 casos de sífilis em gestantes por mil nascidos vivos. Para a sífilis congênita, a taxa de incidência foi de 14 casos por mil nascidos vivos. Os dados foram atualizados em 31 de agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.

“Os dados reforçam a importância de ampliar a prevenção, a testagem e o tratamento oportuno da sífilis em Pernambuco. É uma infecção curável, mas que pode permanecer sem sintomas e, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, provocar complicações importantes. Na gestação, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para evitar a transmissão para o bebê. Por isso, orientamos a população a utilizar preservativos, realizar os testes disponíveis no SUS e procurar uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita ou exposição. Também é essencial que as parcerias sexuais sejam avaliadas e tratadas, para evitar a reinfecção e interromper a cadeia de transmissão”, destaca a gerente do Programa Estadual de IST, Aids e Hepatites Virais de Pernambuco, Grazielle Vasconcelos.

A prevenção da sífilis envolve o uso de preservativos internos ou externos nas relações sexuais, a realização de testes e a busca por atendimento diante de uma possível exposição, mesmo quando não há sintomas. Os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS).

A sífilis tem cura, e o tratamento é realizado com antibióticos. Na gestação, o tratamento recomendado para prevenir a transmissão vertical. Quando há diagnóstico de sífilis congênita, o bebê precisa de avaliação e tratamento específicos, conforme o protocolo clínico. Após o tratamento, é necessário realizar o acompanhamento recomendado pelo serviço de saúde. A cura não confere imunidade, de modo que uma pessoa pode adquirir sífilis novamente se houver nova exposição à bactéria.

Perfil epidemiológico da sífilis adquirida

A análise dos registros de sífilis adquirida entre 2021 e 2025 mostra maior concentração de casos entre adultos jovens. A faixa etária de 20 a 29 anos representa 33,2% das notificações, seguida pelas pessoas de 30 a 39 anos, com 23,3%.

O boletim também destaca diferenças na distribuição dos casos por sexo: 64,7% das notificações ocorreram entre homens e 35,3% entre mulheres. Em relação à raça/cor, pessoas pardas correspondem a 72,4% dos registros.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre principalmente por meio de relações sexuais vaginais, anais ou orais sem preservativo, especialmente pelo contato direto com lesões infecciosas. A infecção também pode ser transmitida da pessoa gestante para o bebê durante a gestação ou no parto.

“Um dos desafios para o controle da doença é que a infecção pode permanecer sem sintomas por períodos prolongados. Quando há manifestações, elas variam conforme o estágio, podendo incluir feridas geralmente indolores, manchas na pele e outros sinais. A ausência de sintomas, entretanto, não exclui a infecção, o que torna a testagem fundamental para o diagnóstico oportuno”, acrescentou Grazielle Vasconcelos.

Pré-natal e tratamento são essenciais para prevenir à sífilis congênita

Entre os casos de sífilis em gestantes registrados entre 2021 e 2025, 58,7% foram identificados na faixa etária de 20 a 29 anos, enquanto 20,2% ocorreram entre adolescentes de 15 a 19 anos.

“A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da gestante para a criança durante a gravidez ou no momento do parto, especialmente quando não há tratamento ou quando ele é realizado de forma inadequada. A doença pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, natimortalidade, alterações ósseas, problemas de visão e audição e outras complicações, inclusive a morte do recém-nascido. Além disso, muitos bebês não apresentam sinais aparentes ao nascimento, o que reforça a importância do acompanhamento clínico”, explica a gerente.

Para evitar a transmissão, a SES-PE reforça a importância de iniciar o pré-natal assim que a gravidez for identificada, realizar os testes para sífilis durante o acompanhamento e repetir a testagem nos momentos recomendados pelos protocolos de saúde. O tratamento deve começar o mais cedo possível após o diagnóstico, com acompanhamento da equipe de saúde. As parcerias sexuais também precisam ser avaliadas, testadas e tratadas, conforme indicação profissional, para prevenir a reinfecção durante a gestação.

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